Caso envolvendo aluno com deficiência e professora de apoio é registrado na DAIJI

Leonardo Cabral em 02 de Março de 2026

Anderson Gallo/Arquivo Diário Corumbaense

Uma mulher de 38 anos procurou a Polícia Civil para denunciar uma suposta agressão sofrida pelo filho, de 16 anos, estudante da Escola Estadual Dom Bosco. O caso teria ocorrido na tarde do dia 24 de fevereiro, dentro das dependências da unidade escolar.

O adolescente, que tem Síndrome de Down e Transtorno do Espectro Autista (TEA) e é não verbal*, estuda na instituição há quatro anos e, segundo a mãe, nunca apresentou problemas de conduta. Durante todo o período, ele foi acompanhado por professora de apoio.

De acordo com o boletim de ocorrência nº 79/2026, registrado na Delegacia de Atendimento à Infância, Juventude e Idoso (DAIJI) como “maus-tratos”, a mãe relatou que, ao buscar o filho na escola, foi informada pela professora de apoio que, devido à chuva naquele dia, o adolescente teria tentado correr para a área externa da escola.

Ainda conforme o relato, a professora afirmou que precisou conter o aluno e, para isso, o teria jogado no chão, imobilizando-o com as pernas e os braços. Segundo a mãe, a profissional chegou a demonstrar como realizou a ação e mostrou um vídeo gravado em seu aparelho celular, no qual o estudante aparece no chão após o ocorrido.

A situação causou indignação na mãe, especialmente após a professora ter dito que “o aluno sabia o que era ‘não’ em casa, mas na escola não sabia”.

Após o episódio, a mulher procurou a direção da unidade de ensino e relatou o caso à direção, que teria informado que conversaria com a professora e retornaria o contato. No entanto, segundo a mãe, isso não ocorreu. Em novo contato com a direção, ela foi informada de que a situação estaria resolvida, pois a professora de apoio teria solicitado o desligamento da unidade escolar.

A mãe também solicitou acesso às imagens das câmeras de monitoramento do local onde o fato teria ocorrido, mas foi informada de que os equipamentos não estariam funcionando naquele ponto específico da escola. A resposta gerou estranheza e insegurança, levando-a a suspeitar que possa ter havido outra agressão contra o filho.

Ainda conforme o boletim, a mulher afirmou que pediu o nome completo da professora para formalizar a denúncia, mas não recebeu a informação. Ela também buscou atendimento na sede da Secretaria Estadual de Educação do município, onde foi orientada pelo Núcleo de Inclusão a tratar a questão diretamente com a direção da escola, sem que os dados da profissional fossem fornecidos. A mãe também levou o caso ao conhecimento do Conselho Tutelar.

“Eles acharam que o problema estava resolvido a partir da saída da professora de apoio. Mas o que aconteceu foi uma agressão, e parece ser algo normal, porque ela é quem me contou com gestos e imagens do celular dela, o que havia acontecido. Eu busco por respostas e providências”, afirmou à reportagem.

Nota da SED

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação (SED), informou ao Diário Corumbaense, que acompanha o caso. Relatou que, “segundo informações da direção escolar, durante as atividades na última  terça-feira (24), o estudante foi contido pela professora de modo verbal, sem qualquer contato físico, para que retornasse à sala de aula. A equipe de gestão realizou o registro em Ata, bem como o comunicado aos pais/responsáveis, conforme previsto no protocolo da Rede Estadual de Ensino, a fim de elucidar o ocorrido”.

A SED ainda informou que vai encaminhar uma equipe multidisciplinar para o devido acompanhamento por meio da Coordenadoria Regional de Educação de Corumbá.

*Uma pessoa não verbal é alguém que não utiliza a fala funcional ou a escrita para se comunicar, expressando-se, em vez disso, através de gestos, expressões faciais, sons, linguagem corporal ou ferramentas de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Isso não indica falta de inteligência ou desejo de se comunicar, mas sim uma limitação física ou no processamento da linguagem.