Leonardo Cabral em 23 de Fevereiro de 2026
Anderson Gallo/Diário Corumbaense
O Carnaval de Corumbá 2026 reuniu um público acumulado de 111 mil pessoas e movimentou cerca de R$ 16,9 milhões na economia local, segundo pesquisa do Observatório de Turismo do Pantanal, vinculado à Fundação de Turismo do Pantanal. O evento ocorreu entre os dias 12 e 17 de fevereiro.
De acordo com o levantamento, aproximadamente 8,3 mil turistas visitaram a cidade durante o período, com permanência média de 3,7 dias. O gasto médio por visitante foi de R$ 2.720,20, totalizando R$ 9,59 milhões em despesas, o que representa 59,3% de toda a movimentação financeira do Carnaval.
“Interessante é que novos foliões vieram a Corumbá e nós tivemos retorno de visitantes. 38,7% dos turistas que aqui estavam, participaram pela primeira vez do Carnaval de Corumbá. 56,3% já haviam participado de edições anteriores. Então, esses dados demonstram um equilíbrio entre a captação de novos públicos e a fidelização de foliões”, comentou o diretor-presidente da Fundação de Turismo do Pantanal, Zelinho Carvalho.
A pesquisa também aponta que os moradores contribuíram com cerca de R$ 3 milhões em gastos durante o evento, enquanto o setor de alimentação, incluindo ambulantes, barracas e food trucks, movimentou aproximadamente R$ 1,5 milhão.
Empregos e renda
O Carnaval gerou 1.772 empregos temporários diretos, distribuídos entre escolas de samba, blocos carnavalescos, cordões e o setor de alimentação. As escolas de samba foram responsáveis por 813 postos de trabalho e movimentaram mais de R$ 2 milhões em investimentos.
Já os blocos carnavalescos geraram 365 empregos e movimentaram R$ 697,5 mil, enquanto os cordões criaram 27 vagas e investiram cerca de R$ 107,9 mil. No setor de alimentação, 187 pessoas foram contratadas, com lucro estimado em R$ 106,5 mil para os empreendedores.
A Prefeitura de Corumbá investiu R$ 6 milhões na realização da festa. O retorno financeiro total foi estimado em R$ 10,9 milhões acima do valor aplicado.
Perfil dos turistas
A maioria dos visitantes veio do próprio Mato Grosso do Sul, principalmente de Campo Grande, além de turistas de São Paulo e da Bolívia. O principal motivo da viagem foi a participação no Carnaval.
Entre os entrevistados, 88,6% avaliaram o destino de forma positiva, destacando a estrutura, a segurança e a organização do evento.
Segurança
O secretário municipal de Segurança Pública e Defesa Social, Fernando Jorge Castro de Lucena, afirmou que o Carnaval 2026 foi um dos mais tranquilos dos últimos anos, sem registro de crimes graves.
Segundo ele, o resultado é atribuído ao planejamento integrado entre forças municipais e estaduais, com apoio do Governo do Estado, atuação da Polícia Militar, Guarda Civil Municipal, brigadistas e segurança privada. O centro de integração operacional funcionou no ginásio do Corumbaense Futebol Clube, cedido para a coordenação das ações.
Durante o evento, equipes apreenderam armas brancas, principalmente facas escondidas em banheiros privativos, mas nenhuma arma de fogo foi encontrada. Quinze pessoas foram encaminhadas à Polícia Civil por mandados de prisão, resistência, violência doméstica, furtos e lesão corporal. Outras 30 foram conduzidas para triagem e liberadas sem necessidade de registro de ocorrência.
Leonardo Cabral/Diário Corumbaense
Prefeito e gestores das pastas envolvidas no carnaval apresentaram os dados nesta segunda-feira
Crescimento em relação a 2025
Os dados mostram crescimento em comparação com o ano anterior. O fluxo de turistas aumentou, assim como a geração de empregos e o volume de recursos movimentados.
Segundo o Observatório de Turismo do Pantanal, os números reforçam a importância do Carnaval para o turismo e a economia.
“A gente costuma ver a cultura, muitas vezes, em segundo plano, e esses números mostram que a cultura é um setor de fomento econômico. Estamos alinhados com o conceito de economia da cultura, que busca mapear toda a cadeia produtiva gerada por um evento”, afirmou a diretora-presidente da Fundação da Cultura, Wanessa Rodrigues.
Ela destacou que o impacto começa meses antes do desfile. “As escolas de samba mantêm preparação que pode chegar a 11 meses, com contratação de trabalhadores e fornecedores locais. “Isso movimenta a economia e faz com que o dinheiro permaneça na cidade”, afirmou.
No campo cultural, a Fundação contabilizou 18 eventos em dois meses de programação. A estratégia incluiu a descentralização das atividades, com pré-carnavais realizados nos bairros. “Levamos a festa para perto das pessoas. Havia dúvida se funcionaria fora da área central, mas a população se sentiu prestigiada”, declarou.
Na avaliação do prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira, os resultados funcionam como instrumento de planejamento e alinhamento estratégico entre gestão pública e iniciativa privada. “A gestão avaliou esse carnaval como um resultado muito positivo. A gente tem certeza, ainda mais agora, numericamente, de que o Carnaval é um investimento, ou seja, mantivemos o mesmo investimento do ano passado, de R$ 6 milhões, e aumentamos em quase R$ 2,2 milhões o valor que circulou na economia”, destacou.
Confira o relatório abaixo:
