Ministro do STJ nega importunação sexual e solicita licença de 90 dias

PorErik Silva10 de fevereiro de 2026

O ministro Marco Buzzi apresentou nesta terça-feira (10) um atestado médico com recomendação de afastamento por 90 dias por motivos psiquiátricos e formalizou pedido de ampliação da licença.

Na manhã desta terça-feira (10) ministros do Superior Tribunal de Justiça realizam uma segunda sessão extraordinária a portas fechadas para deliberar sobre o caso.

Buzzi, 68 anos, é alvo de uma acusação de importunação sexual feita por uma jovem de 18 anos e, em comunicação aos pares, defendeu a própria inocência ao comentar as imputações que pesam contra si.

O Conselho Nacional de Justiça confirmou ter recebido uma segunda denúncia contra o ministro no decorrer das apurações.

A primeira representação, registrada na semana passada, foi feita por uma jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos de Buzzi, que relata tentativa de agarre durante um banho de mar enquanto estavam de férias em Balneário Camboriú no mês passado.

A mulher prestou depoimento à Polícia Civil e ao CNJ e, em razão da prerrogativa de foro do ministro, foi instaurada também uma investigação criminal no Supremo Tribunal Federal.

O Superior Tribunal de Justiça abriu sindicância interna para apurar os fatos e, depois de internado em um hospital de Brasília, Buzzi apresentou um primeiro atestado médico e permanece afastado enquanto pede a ampliação da licença.

Antes de transcrever a carta enviada aos colegas, a defesa do ministro relatou surpresa com a divulgação das alegações e pediu cautela na análise das denúncias

“Caros colegas,

Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado.

De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio.

Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência.

Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência.

Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.

Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura.

Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.

Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar.

De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço aqueles que me franquearam o benefício da dúvida. Confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos.)”

As apurações seguem em diferentes frentes administrativas e criminais enquanto a Corte conclui a análise interna sobre o pedido de licença apresentado pelo magistrado.