Vila Mamona apresenta enredo inspirado na mística Tupi-Guarani no Carnaval de Corumbá

Leonardo Cabral em 06 de Fevereiro de 2026

Leonardo Cabral/Diário Corumbaense

A Unidos da Vila Mamona promete levar à passarela do samba um desfile de forte impacto simbólico e cultural no Carnaval de Corumbá. Com o enredo Nhe’e Porã – O sopro sagrado que gera a vida: a mística Tupi na criação do mundo, a escola de samba do bairro Universitário aposta na espiritualidade Tupi-Guarani para contar a origem do mundo sob a perspectiva da evolução da alma.

 

Assinado pelo carnavalesco Edilson de Oliveira, o enredo propõe uma viagem ao tempo primordial, transformando mito em memória, raiz em poesia e o carnaval em um verdadeiro ritual de encantamento. A proposta não aborda a criação do mundo pelo viés físico, mas sim espiritual, celebrando a vida em todas as suas formas.

Segundo Edilson, na mitologia Tupi-Guarani a alma passa por diversas etapas até alcançar a condição humana. “Ela transita pelo mineral, vegetal e animal, até chegar ao homem. É nesse momento que a serpente primordial, considerada uma divindade, cria o ser humano”, explicou ao Diário Corumbaense.

 

Leonardo Cabral/Diário Corumbaense

Edilson diz que a Vila fará um desfile para recuperar sua tradição no carnaval corumbaense

O desfile será dividido em setores que conduzem o público por essa narrativa ancestral. A comissão de frente apresentará Yamandu, a imensidão, dando origem a Tupã, que por sua vez cria o ser alado — símbolo da alma ou do espírito — que percorre o processo de evolução. A escola também destacará a serpente primordial, a formação da terra e o nascimento de Rupavi, mãe da humanidade.

 

“A proposta é celebrar quem éramos antes de sermos Brasil e quem ainda podemos ser: filhos da terra e guardiões do sagrado”, ressaltou o carnavalesco. Para ele, o desfile vai além do espetáculo visual. “É mais que um desfile: é ritual, canto ancestral e um convite ao respeito pela terra, pelos rios, pelo meio ambiente e pelo ciclo da vida.” 

Retomada e expectativa

Após dois carnavais consecutivos marcados por dificuldades, Edilson acredita que a Vila Mamona retorna à avenida em um novo momento. Detentora de 18 títulos no carnaval corumbaense, sendo 13 consecutivos, a escola aposta na força coletiva para reencontrar seus dias de glória.

“Será um desfile com fantasias impactantes, um samba-enredo muito bonito e um casal de mestre-sala e porta-bandeira que é um espetáculo. Queremos devolver o orgulho à comunidade e aos antigos integrantes da escola. O foco não é o título, mas apresentar um grande carnaval. Se vier o resultado, será consequência do trabalho de todos”, afirmou.

A Vila Mamona desfilará com pouco mais de 700 componentes, distribuídos em 17 alas, além de quatro carros alegóricos e um tripé. A bateria contará com 80 ritmistas.

A agremiação promete emocionar o público ao unir tradição, ancestralidade e espiritualidade em um desfile que celebra a cultura dos povos originários e reafirma o carnaval como espaço de memória, respeito e resistência cultural. A Vila Mamona abre os desfiles das escolas de samba na noite de 15 de fevereiro.

 

 

 

 

GRES Unidos da Vila Mamona – Carnaval 2026
Enredo: “Nhe’e Porã – O sopro sagrado que gera a vida: a mística Tupi na criação do mundo”
Compositores: Victor Raphael; Shazam; Lucas Donato e Thiago Morganti

Auê, Auê… grito mais alto
Pro mundo perceber! Auê! Auê!
Auê, Auê… grito mais alto
Pro mundo perceber!

No início, nada existia
Nem o tempo, apenas solidão
Yamandu sopra o vento
Surge Tupã, dando início à criação
Nhē e Porã, na dança do Divino
Nhē e Porã, a serpente engerou
Num espiral infinito
A grande cobra se deitou
E a Natureza começou

TERRA, FOGO, ÁGUA E AR
FAUNA E FLORA EM PROFUSÃO
A BELEZA A ENCANTAR
A PUREZA DO MEU CHÃO
CACHOEIRAS E CASCATAS
ERA O MUNDO EM COMUNHÃO

Partiu o ser alado elemental
Em busca dos segredos e sagrados
Os deuses que surgiram do sopro vital
Eram enfim revelados
Habitanto as pedras
As árvores e os animais
Conheceu os segredos da vida
E as energias naturais
A serpente mãe-terra surgiu
Da argila seu corpo criou
Rupavi tem a missão de proteger
A herança que Yamandu deixou

É som de verde, é tinta vermelha
Vila Mamona, força natural
O mito da Terra, Tupi Guarani
Fazendo história no meu carnaval