Fábio Oruê, Gabriel Maymone-28/01/2026
O empresário Eli Souza, do Grupo Impacto, recebeu R$ 130 mil do empresário Antônio Henrique Ocampos Ribeiro, da Política MS News, entre fevereiro e abril de 2022. Ambos foram presos na Operação Collusion, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), em 21 de janeiro.
Conforme relatório de investigação obtido com exclusividade pelo Jornal Midiamax, a apuração identificou pelo menos quatro transações bancárias entre as duas empresas, o que reforça o vínculo econômico entre os dois investigados no esquema de fraude em licitações.
A operação revelou que as empresas formavam um grupo para forjar a competitividade dos certames em órgãos públicos de Mato Grosso do Sul. O estopim foi o superfaturamento de 500 revistas para a Prefeitura de Terenos.
Entretanto, a análise dos documentos mostrou que, em março de 2022, a empresa de Antônio encaminhou à Impacto um extrato bancário no nome de Francisco Elivaldo de Souza, o Eli Souza.
Antônio seria laranja do padrasto
Aliás, quem estaria por trás da empresa é, na verdade, Francisco das Chagas Veras Nascimento (também preso na operação), que é padrasto de Antônio. Além disso, Francisco exerceu o cargo de sócio-administrador da Política MS News entre 2016 e 2021.
Vale ressaltar ainda que a empresa tem a razão social FCVN — as siglas de Francisco das Chagas Veras Nascimento — Comunicações LTDA., “[…] o que reforça a hipótese de utilização deste último [Antônio] como interposta pessoa [laranja] para manter o controle do empreendimento sob aparência de regularidade formal”, diz a promotoria.
Fato que reforça isso são as cerca de 1,9 mil imagens, arquivos e informações armazenados no e-mail da empresa estarem associadas a Francisco das Chagas. Confira aqui a lista completa dos endereços alvos da operação.
O que diz a defesa?
O Jornal Midiamax procurou as defesas de Antônio Ocampos e Eli Souza para esclarecimentos. Até esta publicação, não houve retorno de Eli. O espaço segue aberto para manifestação.
Já a defesa de Antônio confirma que a empresa estava registrada no nome do cliente, mas era administrada por Francisco das Chagas. O enteado registrou o negócio, pois o padrasto estava com nome sujo.
“O ingresso formal do nome de Antônio ocorreu com a finalidade inicial de auxiliá-lo, sem que houvesse atuação efetiva na gestão empresarial”, diz o advogado Julio Cesar Moraes, da MNP Advogados, em nota à reportagem.
Ainda, a defesa ressalta que o negócio não participava de certames há seis anos, e, há quatro, Antônio busca a retirada formal de seu nome do quadro societário.
“Contudo, diante do passivo acumulado — incluindo dívidas, tributos e empréstimos — o sócio responsável não possuía condições financeiras para promover a alteração contratual necessária à exclusão de seu nome. Importa destacar que Antônio sempre exerceu atividades profissionais como vendedor e cozinheiro, não possuindo capacidade financeira para arcar com custos societários ou assumir obrigações empresariais”, traz a nota.
Sobre as transações, a defesa alega que elas foram decorrentes de empréstimo pessoal vinculado à venda de imóvel da família. “Toda a documentação comprobatória será apresentada às autoridades competentes. Não se trata de repasses ilícitos, tampouco de qualquer forma de conluio empresarial”, diz a defesa.
Estopim: 500 revistas superfaturadas
Investigação do Ministério Público revelou que a empresa Impacto Mais teria fraudado licitação para fornecer 500 exemplares de revista a um preço superfaturado para o prefeito de Terenos, Henrique Budke (PSDB) — atualmente afastado do cargo por corrupção —, divulgar obras de seu mandato em comemoração aos 69 anos do município.
A compra foi realizada em 2022, e o caso veio à tona nesta semana, quando o Gaeco foi às ruas e prendeu o dono da revista, Francisco Elivaldo de Sousa, Eli Sousa; seu diretor financeiro, Eudmar Roger Nolasco — que também é funcionário do Dakila Comunicação; e outros quatro empresários que teriam agido em conluio para fraudar a licitação.
O prefeito Henrique não consta como investigado na operação. Ele está afastado, desde setembro do ano passado, por conta de outra operação contra corrupção, a Spotless.
No entanto, o MP identificou indícios de irregularidades que apontavam armação entre as empresas Impacto Mais, Tops do MS (de Leandro de Sousa Ramos, preso) e Política MS (de Antônio Henrique Ocampos Ribeiro, também preso).
Novo escândalo em Terenos
Em 21 de janeiro de 2026, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) e a Promotoria de Justiça de Terenos deflagraram as operações Collusion e Simulatum contra fraudes em licitações da Câmara e da Prefeitura de Terenos.
A Operação Collusion investiga uma organização criminosa que fraudava licitações e contratos públicos, além de cometer crimes relacionados. Os investigados se associaram para obter contratos relacionados a materiais e serviços gráficos firmados com o município e a Câmara Municipal de Terenos, desde o ano de 2021.
Já a Operação Simulatum identificou um grupo que fraudava contratos de publicidade e locação de equipamentos de som firmados com a Câmara Municipal de Terenos, também desde o ano de 2021.
Os presos são:
- Francisco Elivaldo de Sousa, conhecido como Eli Sousa – dono do Impacto Mais;
- Eudmar Rogers Nolasco de Faria – diretor comercial do grupo Impacto;
- Antônio Henrique Ocampos Ribeiro – empresário;
- Leandro de Souza Ramos – empresário;
- Geraldo Alves Pereira – empresário;
- Francisco das Chagas Veras do Nascimento – empresário.
