PorErik Silva27 de janeiro de 2026
Autoridades portuguesas apreenderam quase nove toneladas de cocaína após interceptarem uma embarcação semissubmersível utilizada pelo narcotráfico em águas do Atlântico, a cerca de 400 quilômetros do arquipélago dos Açores.
Segundo a Polícia Judiciária, a operação representa a maior apreensão de cocaína já registrada na história de Portugal e reforça o uso crescente da rota atlântica para o envio de drogas da América Latina à Europa.
A ação ocorreu no âmbito da operação Adamastor e foi anunciada nesta segunda-feira, 26. De acordo com a polícia, o semissubmersível havia partido da América Latina transportando aproximadamente 300 fardos de cocaína. Durante a abordagem, realizada sob condições meteorológicas adversas, a embarcação acabou afundando, o que provocou a perda de 35 fardos. Ainda assim, o volume recuperado foi suficiente para estabelecer um recorde nacional.
Quatro pessoas estavam a bordo no momento da interceptação. Três são de nacionalidade colombiana e uma venezuelana. Todos foram detidos e levados sob custódia das autoridades portuguesas. A Polícia Judiciária informou que o grupo fazia parte de uma estrutura organizada de tráfico internacional voltada ao abastecimento do mercado europeu.
Cooperação Internacional
A operação envolveu uma ação conjunta da Polícia Judiciária com a Marinha Portuguesa e a Força Aérea. Segundo a corporação, o trabalho contou ainda com apoio operacional e de inteligência de autoridades dos Estados Unidos e do Reino Unido, o que permitiu localizar e acompanhar a embarcação antes da interceptação em alto-mar.
Em comunicado oficial, a Polícia Judiciária destacou o papel da cooperação internacional no sucesso da apreensão. A investigação teve suporte do Centro de Análise e Operações Marítimas – Narcóticos (MAOC-N), sediado em Lisboa, organismo responsável por coordenar esforços de países europeus e parceiros internacionais no monitoramento de rotas marítimas usadas pelo crime organizado.
O uso de semissubmersíveis tem se intensificado nos últimos anos como estratégia para reduzir a detecção por radares e satélites. Segundo autoridades europeias, esse tipo de embarcação, popularmente chamada de “submarino” do tráfico, tornou-se uma das principais ferramentas das organizações criminosas que operam no corredor atlântico entre a América do Sul e a Europa.
A Polícia Judiciária informou que as investigações seguem em andamento para identificar financiadores, rotas logísticas e possíveis conexões do grupo detido com outras redes criminosas que atuam no tráfico internacional de drogas.
