PorErik Silva27 de janeiro de 2026
Um filhote de arara-azul realizou o primeiro voo no Pantanal de Aquidauana, em Mato Grosso do Sul. O registro foi feito pela equipe do Instituto Arara-Azul durante atividade de monitoramento da espécie ameaçada de extinção.
A ave havia sido devolvida ao ninho minutos antes. Os pesquisadores realizaram procedimentos de rotina, com coleta de material biológico, colocação de anilha, instalação de um nanotransmissor e fixação de medalha de identificação, segundo o instituto.
Logo após o retorno ao ninho, o filhote deixou o poleiro e alçou voo. A equipe considera o momento incomum, já que filhotes costumam demonstrar hesitação nessa fase inicial de aprendizagem.
Os pais acompanharam toda a movimentação. Eles permaneceram sobrevoando a área do Cerrado-Pantanal e vocalizaram de forma contínua para estimular a cria, de acordo com os pesquisadores responsáveis pelo registro.
O vídeo foi gravado por Cézar Corrêa, David Ledesma e Willian Sanabria. Durante a gravação, eles relatam que o filhote respondeu aos chamados dos adultos, comportamento associado ao forte vínculo familiar da espécie.
O Instituto Arara-Azul aponta que a arara-azul vive em grupos e raramente é vista sozinha em ambiente natural. A espécie pode chegar a um metro de comprimento, da ponta do bico ao fim da cauda, sendo a maior da família Psittacidae no mundo.
Um adulto pesa até 1,3 quilo. Filhotes podem atingir cerca de 1,7 quilo no período de pico de peso, antes de iniciarem o processo de emagrecimento natural que antecede os primeiros voos.
Conservação
No início do século passado, a espécie era abundante. Hoje, as estimativas indicam que há mais araras-azuis em cativeiro do que em vida livre, segundo dados do instituto.
As populações naturais concentram-se atualmente em três áreas. O Pantanal. O Brasil Central, que inclui Tocantins, Goiás, Piauí, Maranhão, Bahia e parte de Minas Gerais. E o Norte do país.
A arara-azul é classificada como Vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza. No Brasil, o Ministério do Meio Ambiente enquadra a espécie como Quase Ameaçada, conforme avaliação divulgada em 2018.
