Adolescentes investigados por espancar cachorro voltam da Disney sob esquema de segurança policial

PorRedação27 de janeiro de 2026

Dois adolescentes suspeitos de envolvimento no ataque ao cão Orelha viajaram para a Disney como parte de uma excursão de formatura. A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou que a viagem aos Estados Unidos estava programada há cerca de um ano e não possui relação com a tentativa de fuga das apurações em curso em Florianópolis.

O delegado-geral Ulisses Gabriel manifestou preocupação com a segurança no desembarque do grupo devido à possibilidade de protestos violentos no aeroporto. A autoridade policial destaca que a maioria dos estudantes presentes no voo não tem qualquer ligação com os atos investigados.

Ulisses Gabriel ressaltou a importância de separar os investigados dos demais alunos para evitar incidentes generalizados. “São 115 jovens que estarão lá, 113 não tem nenhuma relação com o caso. Então nos preocupa muito a situação de que alguém possa ser machucado por conta de uma situação que envolve duas pessoas”.

Uma estrutura especial será montada com apoio da administração do aeroporto para garantir a integridade física de todos no retorno ao Brasil. As autoridades informaram também que não houve apreensão de passaportes dos outros jovens envolvidos no caso que permaneceram em território nacional.

As investigações apontam ainda que os adolescentes teriam tentado matar outro animal em uma data diferente do ataque ao cão Orelha. O cachorro sobrevivente conseguiu escapar do afogamento no mar e foi adotado pelo próprio delegado-geral recebendo o nome de Caramelo.

A delegada Mardjoli Valcareggi detalhou as evidências coletadas sobre essa segunda ocorrência de maus-tratos. “Nós temos a imagem deles pegando esse animal do colo e a câmera corta, mas temos depoimentos de testemunhas que afirmam que eles arremessaram esse cão ao mar”.

Três homens adultos foram indiciados pela polícia nesta terça-feira sob a acusação de coação de testemunhas no decorrer do inquérito. Relatos indicam que um dos suspeitos utilizou frases intimidatórias e ameaçou destruir o veículo de uma pessoa que prestava informações sobre o caso.

O governador Jorginho Mello utilizou as redes sociais para comentar o andamento das apurações e garantiu que os trâmites legais ocorrem sem interferências. Ele expressou indignação com a crueldade dos atos praticados pelos jovens.

Mello reforçou que a condição social dos envolvidos não impedirá a aplicação das penalidades cabíveis. “Confesso que custei a acreditar, adolescentes jovens de famílias estruturadas agredindo um cão por pura maldade. Não importam quem são nem os sobrenomes que carregam, a lei será cumprida. Infelizmente, ainda muito branda, mas será cumprida.”

O episódio mobilizou personalidades e ativistas da causa animal que cobram justiça e acompanham os desdobramentos. A ativista Luisa Mell esteve presente na sede da Polícia Civil catarinense durante a coletiva de imprensa sobre o caso.