Ricardo Albertoni em 20 de Janeiro de 2026
Moradora da região do Pantanal, em Corumbá, Ana Paula Gimenes (28) procurou o Diário Corumbaense para denunciar falta de energia elétrica, que já se arrasta há pelo menos dois anos entre as comunidades da Nhecolândia e do Porto da Manga, na Estrada Parque.
Segundo Ana Paula, as quedas de energia duram horas ou até dias inteiros e têm causado prejuízos constantes aos moradores. “A gente liga, eles vêm, fazem um remendo e vão embora. No dia seguinte, a energia cai de novo”, relata. Em alguns episódios, a comunidade chegou a ficar mais de três dias sem eletricidade, o que resultou na perda de alimentos, como carnes, além de danos a eletrodomésticos.
De acordo com a moradora, a comunidade já buscou ajuda em todos os canais possíveis. Foram feitas inúmeras ligações à concessionária de energia e visitas presenciais à sede da Energisa na cidade.
Nos últimos dias, a situação se agravou ainda mais. Houve interrupções prolongadas no fornecimento de energia, com cortes iniciando pela manhã e retorno apenas à noite, em meio ao calor intenso. “Ficamos das dez da manhã até as oito da noite sem energia. No dia seguinte aconteceu tudo de novo”, relata.
Nesta semana, a região voltou a ficar sem energia elétrica e sinal de telefone. Com a comunicação limitada apenas à internet, moradores precisaram pedir ajuda a um motorista que passava pela estrada e tinha conexão via satélite para conseguir contato com alguém fora da região.
Outro ponto de preocupação destacado por Ana Paula Gimenes é o estado da rede elétrica. Há postes inclinados e com risco de queda na Estrada Parque. Fotos já foram enviadas às autoridades responsáveis, mas, até o momento, nenhuma manutenção foi realizada.
Ela reforça que há idosos, crianças e pessoas doentes na comunidade, que sofrem com o calor e a falta de condições básicas. “As pessoas passam mal e não têm como pedir socorro. Sem energia e sem telefone, ficamos completamente isolados”, desabafa.
A moradora faz um apelo às autoridades municipais, estaduais e aos órgãos competentes para que visitem a região e vejam a realidade enfrentada pelos moradores do Pantanal. “É um pedido de socorro. A gente só quer uma solução definitiva para um problema que já dura anos”, conclui.
Concessionária
Procurada pelo Diário Corumbaense, a assessoria de imprensa da Energisa informou que foram identificadas ocorrências pontuais na localidade mencionada. “Após análise, constatou-se que aproximadamente 80% dessas ocorrências tiveram como causa condições climáticas adversas, como temporais, ventos fortes e raios. Ainda assim, os atendimentos analisados foram realizados respeitando todas as normas técnicas e de segurança e buscando atender os prazos regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)”, destaca a nota enviada à reportagem.
“É importante ressaltar que, em situações de chuvas com ventos fortes, além de objetos e galhos arremessados pela força dos ventos e árvores inteiras caídas sobre a rede elétrica, a região pantaneira se torna de difícil acesso. Em áreas mais isoladas, como a do Pantanal, as equipes enfrentam desafios como atoleiros, vegetação obstruindo estradas, alagamentos e outros obstáculos que dificultam o deslocamento para a execução dos serviços”, frisou a assessoria.
Com relação ao poste citado pela reportagem, a concessionária informou que “já agendou para essa semana uma vistoria técnica no local e irá adotar as medidas necessárias”.
