Cadela de busca dos bombeiros morre durante deslocamento para operação de resgate

PorRedação15 de janeiro de 2026

A cadela Iara sofreu uma torção gástrica enquanto viajava para auxiliar nas buscas por crianças desaparecidas no Maranhão e caso alerta para riscos da doença

A cadela Iara, integrante do Corpo de Bombeiros do Ceará, morreu nesta quinta-feira (15) vítima de uma torção gástrica. O animal estava em deslocamento para o estado do Maranhão, onde reforçaria a equipe de resgate nas buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael. As crianças, de 6 e 4 anos, desapareceram no dia 4 de janeiro após saírem para brincar no município de Bacabal.

Os sintomas da condição começaram a se manifestar quando a equipe se aproximava do destino final. Iara não resistiu à gravidade do quadro e morreu nos braços de seu condutor, o sargento João. A integrante da corporação completaria cinco anos de vida no próximo dia 21 e possuía um histórico de participação em cursos fora do estado e atuação em grandes operações. O Corpo de Bombeiros emitiu uma nota de pesar destacando o temperamento singular do animal e sua forte conexão com a tropa.

Riscos e características da torção gástrica

A condição que vitimou a cadela é considerada uma emergência veterinária grave, capaz de levar ao óbito em poucas horas. O quadro ocorre quando o estômago sofre uma distensão severa provocada por gases, líquidos ou alimentos e gira sobre o próprio eixo. Esse movimento rotacional obstrui a entrada e a saída do órgão, afetando o esôfago e o duodeno, além de comprimir grandes vasos sanguíneos. A interrupção da circulação para órgãos vitais pode resultar em choque hipovolêmico e necrose.

Pedro Risolia, veterinário da Petlove, explica que a rotação muitas vezes acontece quando o animal rola no chão devido a incômodos ou cólicas. O especialista alerta para a necessidade de socorro imediato e contraindica tentativas de tratamento caseiro. “Importante não tentar medicar em casa ou fazer massagens. Deve-se encaminhar o pet imediatamente ao hospital veterinário mais próximo para atuação veterinária, possivelmente com intervenção cirúrgica.”

Sintomas e prevenção

Identificar os sinais precocemente é fundamental para aumentar as chances de sobrevivência. Os sintomas mais comuns incluem tentativas de vômito sem sucesso, salivação excessiva e abdômen visivelmente inchado e rígido. O animal também pode apresentar inquietude, dificuldade respiratória e dor evidente. O tratamento é emergencial, envolvendo estabilização do quadro com fluidoterapia, descompressão do estômago e cirurgia para reposicionar o órgão e fixá-lo na parede abdominal.

Embora possa afetar cães de todas as raças e até gatos, a torção gástrica é mais frequente em cães de grande porte com tórax profundo, como dogue alemão, são bernardo, pastor alemão, labrador e rottweiler. Animais mais velhos também apresentam maior risco devido à frouxidão dos ligamentos. Medidas preventivas incluem o fracionamento da alimentação em duas ou três vezes ao dia e o uso de comedouros lentos para evitar a ingestão de grandes volumes de comida de uma só vez. Recomenda-se também evitar exercícios físicos vigorosos pelo período de uma a duas horas após as refeições.