MPMS livra Patrola de ação por danos ambientais em obra no Pantanal

PorRedação13 de janeiro de 2026

Ministério Público opta por termo de ajuste de conduta em vez de ação civil pública, desviando responsabilidade da empreiteira por prejuízos milionários

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) determinou que a empreiteira de André Luiz dos Santos, conhecido como Patrola, não será judicialmente responsabilizada por expressivos danos ambientais, avaliados em quase R$ 1 milhão, na implementação da rodovia MS-228, localizada no Pantanal. Em vez de uma ação civil pública, o MPMS e a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) firmaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que prevê a construção de um parque em Corumbá.

Apesar de constar como parte requerida no inquérito civil n. 06.2023.00001234-9, a empreiteira de Patrola, de CNPJ 08.594.032/0001-74, não integra o TAC e, portanto, não participará da compensação ambiental. Um relatório técnico da investigação detalhou que a via se encontra “despedaçando”, com prejuízos ambientais somando R$ 991.081,00. No entanto, a Agesul é a única entidade que assume a responsabilidade no termo de acordo.

Construção de parque como compensação

Para evitar o processo judicial por danos ambientais, o MPMS propôs a edificação de um parque na cidade de Corumbá. O TAC estipula que a Agesul deve edificar o “Parque Ecológico Urbano Raízes Pantaneiras” até agosto de 2027. O município de Corumbá, por sua vez, deve oferecer suporte administrativo à execução da obra e assumir a manutenção do local após sua conclusão.

O prefeito de Corumbá, Gabriel de Oliveira (PSB), comentou a decisão em entrevista ao Jornal Midiamax.

Preferia que não tivesse dano ambiental algum.

Ele ressaltou, no entanto, que a iniciativa trará benefícios à população, com a Agesul encarregada de diversas melhorias, incluindo a construção de pista de caminhada e a realização de obras de drenagem.

Histórico de acordos e denúncias contra o empreiteiro

Esta não é a primeira vez que André Luiz dos Santos é beneficiado por acordos do Ministério Público. No ano anterior, o Jornal Midiamax revelou que o MPMS o isentou de uma ação por desmatamento em uma fazenda em Coxim, mediante o pagamento de uma “multa” de R$ 2 mil. Em 2024, o empreiteiro já havia sido dispensado de responder judicialmente por devastação de 285 hectares de vegetação nativa em outra propriedade no Pantanal.

A “Rota do Patrola” já expôs uma série de propriedades do empreiteiro na região, situadas às margens da rodovia MS-228, a mesma na qual ele obteve licitação para obras. Mesmo diante de reiterados descumprimentos de acordos anteriores, como o não cumprimento de um termo relacionado à Fazenda Flamboyant, em Campo Grande, que resultou no bloqueio judicial de R$ 57,3 mil, o MPMS tem continuado a firmar acordos que retiram a responsabilidade judicial do empreiteiro. Na prática, tais acordos o eximem de uma ação civil pública, que poderia resultar em condenação por crime ambiental e até pena de reclusão.

Obra da MS-228: paralisação e prejuízos

A obra na rodovia MS-228 teve início sem a devida licença ambiental e permaneceu paralisada por dois anos até o encerramento do contrato. Antes da interrupção, a Agesul informou que Patrola executou aproximadamente 47% do projeto, pelo qual receberia R$ 6,9 milhões. Embora não tenha havido desembolso, o Diário Oficial reconheceu a dívida.

Um trecho de 90 km da MS-228, no Pantanal, foi descrito pela equipe técnica do MP como “caindo aos pedaços”, apresentando erosões e pontos inundados que impossibilitam o tráfego. As condições eram tão precárias que a equipe não conseguiu percorrer toda a extensão da rodovia implantada pela empreiteira. O Jornal Midiamax tem denunciado, desde junho de 2025, o desmatamento ilegal em diversas áreas pantaneiras, incluindo fazendas de propriedade do empreiteiro às margens da MS-228, onde ele possuía contratos para as obras.

Envolvimentos em esquemas de corrupção

Além das questões ambientais, Patrola e outros empreiteiros foram denunciados pelo MPMS em 2023 por desvios em contratos de cascalhamento e locação de máquinas, com valores que superam R$ 300 milhões. As investigações da Operação Cascalhos de Areia também apontaram envolvimento do ex-secretário de obras da Prefeitura de Campo Grande, Rudi Fioresi, e de outros empreiteiros, supostos “laranjas” e servidores.

Ao todo, 12 pessoas foram denunciadas por crimes como peculato, corrupção, fraude em licitação e lavagem de dinheiro, conforme apuração do Jornal Midiamax.

A reportagem buscou posicionamento da Agesul e do MPMS sobre o acordo e a responsabilização da empreiteira de Patrola, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.