Gaeco denuncia família Razuk por ‘audácia’ e domínio absoluto do jogo do bicho em Dourados

PorErik Silva2 de janeiro de 2026

Ministério Público aponta que o clã liderado por Roberto Razuk mantém bancas funcionando ‘em plena luz do dia’ e planeja expansão para Campo Grande, mesmo após três operações policiais.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou o patriarca Roberto Razuk, seus três filhos e outros integrantes de uma organização criminosa por dominarem a exploração do jogo do bicho em Dourados. Em documento do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), os promotores destacam a “audácia” do grupo em manter pontos de apostas funcionando “em plena luz do dia”, mesmo após terem sido alvo da Operação Successione por três vezes.

A denúncia, assinada pelos promotores, Gerson Eduardo de Araujo, Tiago Di Giulio Freire, Antenor Ferreira de Rezende Neto e Moisés Casarotto, afirma que a família exerce “domínio absoluto” sobre a loteria ilegal na cidade e região. Segundo o Gaeco, essa atuação só é possível mediante “intensa e sistêmica corrupção policial”, que permitiria a operação das bancas espalhadas por pontos estratégicos da cidade.

Apostas feitas ‘à moda antiga’ e corrupção policial

As investigações constataram que a rede continua operando “à moda antiga”, mas com modernizações: as anotações dos jogos, antes feitas em papéis (pules), agora são realizadas em equipamentos eletrônicos. Em março deste ano, integrantes do Gaeco estiveram em Dourados, fotografaram bancas em funcionamento, conversaram com anotadores que apontaram os Razuk como “donos do jogo” e até fizeram apostas para confirmar a atividade.

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Apóstas passaram a ser registradas por maquininhas eletrônicas, mas ainda em pontos fixos no meio da rua

Quem são os denunciados e o papel do deputado Neno Razuk

Os denunciados são o patriarca Roberto Razuk e seus filhos: o deputado estadual Roberto Razuk Filho (conhecido como Neno Razuk), Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. A denúncia sustenta que o depoimento informal dos anotadores reforça o controle familiar, sendo “unânimes em afirmar que o controle e domínio da atividade, naquela região, é da família ‘Razuk’”.

O documento traça um paralelo com o caso da família Name em Campo Grande, que dominou o jogo do bicho na capital até ser desarticulada pela Operação Omertà, também do Gaeco, em 2019 e 2020. Naquela ocasião, 87 bancas foram retiradas das ruas e 107 endereços foram notificados pela prefeitura por ocupação irregular de calçadas, após as prisões de Jamil Name e Jamil Name Filho (Jamilzinho).

familia razuk jogo do bicho dourados e Campo Grande

Os promotores afirmam que o domínio consolidado em Dourados explica a estratégia atual da organização. “Tamanha é a predominância da família Razuk sobre a jogatina da cidade douradense”, diz o texto, que aponta que pai e filhos buscam agora monopolizar também o jogo do bicho em Campo Grande – movimento que está no centro das investigações da Operação Successione.

Contexto das investigações

A denúncia do Gaeco contextualiza que o movimento em Dourados é parte de um cenário de reorganização da loteria ilegal em Mato Grosso do Sul. Segundo os investigadores, a tentativa de expansão do grupo para Campo Grande ocorreu após a Operação Omertà desarticular a estrutura da família Name, que dominou o setor na capital por décadas. O processo atual da Operação Successione busca detalhar como o grupo de Dourados utilizou essa transição para tentar monopolizar o mercado de apostas no estado.

Gaeco

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) é uma unidade do Ministério Público estadual especializada em investigar e processar organizações criminosas complexas. Com poderes de investigação amplos, o grupo atua em conjunto com polícias e muitas vezes coordena operações de grande porte, como a Successione, que mira o jogo do bicho no estado.