FCO registra recorde de R$ 3,24 bilhões em Mato Grosso do Sul impulsionado pelo campo

PorErik Silva16 de janeiro de 2026

A forte atração de recursos para o setor rural levou o Fundo Constitucional do Centro-Oeste a superar a projeção inicial, com 75% dos valores aplicados em projetos agropecuários.

Mato Grosso do Sul recebeu R$ 3,240 bilhões em financiamentos do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste) em 2025, estabelecendo um volume recorde de repasses. Esse montante superou a previsão inicial de R$ 2,7 bilhões definida pela Sudeco (Superintendência para o Desenvolvimento do Centro-Oeste), que precisou reajustar o valor devido à alta procura.

O setor rural foi o principal motor desse crescimento, concentrando 75% dos recursos totais. Essa proporção está bem acima da média histórica, que costumava girar em torno de 60% para o FCO Rural e 40% para a linha FCO Empresarial. O Secretário Executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Rogério Beretta, apontou que dois fatores podem ter afastado o empresariado do financiamento nesta ocasião: o aumento da taxa Selic, que elevou os juros, e incertezas em relação à economia nacional.

FCO Rural privilegia pequenos e apoia metas ambientais

A maior parte dos recursos destinados à linha FCO Rural foi direcionada a pequenos e médios empresários, que ficaram com 72% do volume aplicado. Os 28% restantes foram distribuídos entre produtores rurais de médio e grande porte.

O Secretário Executivo da Semadesc ressalta que o Fundo prioriza o atendimento a empreendedores de menor porte, tanto no campo quanto na cidade. “A meta é aplicar no mínimo 50% em projetos de mini e pequenos empreendedores, e isso temos feito todos os anos”.

Em relação à finalidade dos recursos, houve destaque para projetos ligados à sustentabilidade e à produtividade. A correção de solo (17,15%) e a reforma ou recuperação de pastagens (13,68%) foram as finalidades mais procuradas. Segundo Beretta, esse direcionamento é fundamental para as políticas ambientais do estado. “O que é muito importante para o Governo que tem a meta de transformar Mato Grosso do Sul em Estado Carbono Neutro até 2030”. O combate à degradação do solo é considerado uma medida prioritária para aumentar o sequestro e a retenção de C02.

Completando o ranking de demandas mais relevantes, estão a aquisição de matrizes bovinas de corte (12,5%), a implantação de sistemas de irrigação (10,59%) e a compra de máquinas e implementos agrícolas (9,65%).

Beretta enfatiza que o aporte em fruticultura (8,25%) e a construção de armazéns agrícolas (7%) são áreas prioritárias para o governo. “O Estado tem buscado atrair investimentos em citricultura, o governador Eduardo Riedel entende que temos potencial para sermos o novo polo produtor de laranja e suco de laranja do país considerando os problemas que o maior produtor, São Paulo, tem enfrentado em suas lavouras. Esse aporte de recursos em fruticultura é a demonstração clara de que Mato Grosso do Sul caminha rapidamente para se consolidar como importante player desse setor”. A ampliação da capacidade de armazenamento, por sua vez, atende à necessidade constante de infraestrutura diante do crescimento anual das safras.

Na distribuição regional, o FCO Rural contemplou projetos de todos os municípios sul-mato-grossenses em 2025. Os destaques foram Paranaíba (6,64%), Bataguassu (8,58%), Dourados (6,78%), Sidrolândia (6,27%) e Paraíso das Águas (6,18%). Rogério Beretta ressalta a importância da abrangência desses financiamentos para o desenvolvimento regional. “Nesse quesito, Beretta ressalta o carátere descentralizado dos investimentos, que chega com força aos pequenos e médios municípios, levando desenvolvimento e melhoria da renda”. Além disso, a Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) foi essencial na elaboração de projetos para que os pequenos produtores pudessem acessar os financiamentos.

Linha Empresarial e Perspectivas para 2026

A linha FCO Empresarial também priorizou o atendimento a empreendedores de menor porte, beneficiando mini e pequenos empresários com 52% do total liberado. Médios, grandes e médio-grandes empresários ficaram com 10,6% do volume. As principais finalidades dessa linha foram Capital de Giro (41,15%), compra de equipamentos (21,82%), construções (13,07%), reformas (8,03%) e aquisição de veículos (6,86%).

Ao contrário da linha Rural, o FCO Empresarial demonstrou um caráter mais centralizador na distribuição regional, uma vez que as grandes cidades concentram a maior parte das empresas. Campo Grande foi destino de 40% dos recursos, enquanto Dourados, a maior cidade do interior, recebeu 13%.

Para 2026, a Sudeco já estabeleceu um orçamento de R$ 3,1 bilhões para Mato Grosso do Sul, divididos igualmente entre as linhas FCO Rural e FCO Empresarial (50/50). O valor representa um incremento de 14% em relação ao volume disponibilizado no início de 2025 (R$ 2,7 bilhões). O aumento da demanda demonstra a vitalidade econômica local. “No ano passado fomos o único Estado da região que precisou de novos aportes de recursos porque o valor disponibilizado foi insuficiente para atender a demanda”.