Mercado financeiro aguarda estreia de gigantes da tecnologia na bolsa em 2026

PorRedação15 de janeiro de 2026

Wall Street se prepara para um momento histórico com a possível entrada de três das maiores empresas de tecnologia do mundo no mercado de ações

As movimentações recentes indicam que 2026 deve marcar o fim de um período de baixa nas ofertas públicas iniciais e consolidar o ciclo de expansão da inteligência artificial. Anthropic, OpenAI e SpaceX realizam preparativos que podem resultar nas maiores aberturas de capital da história, ficando atrás apenas da estreia da Saudi Aramco em 2019.

O cenário desenhado para o próximo ano envolve avaliações de mercado astronômicas para essas companhias. A SpaceX lidera as estimativas com um valor de 800 bilhões de dólares, seguida pela OpenAI com cerca de 500 bilhões de dólares e pela Anthropic, que negocia uma rodada capaz de avaliá-la em 350 bilhões de dólares.

Eddie Molloy, chefe global de mercado de capitais de ações do Morgan Stanley, observa a magnitude das operações e o apetite dos investidores. “Estamos entrando em um período de ofertas potencialmente sem precedentes. Mas temos confiança de que são operações viáveis, dado o porte dessas empresas e o interesse dos investidores.”

Preparativos e reestruturações corporativas

Cada empresa encontra-se em um estágio diferente de maturidade em relação ao processo de listagem. A SpaceX apresenta o processo mais adiantado, tendo já dialogado com bancos para liderar a operação e comunicado seus acionistas. A empresa de foguetes planeja utilizar os recursos captados para financiar a construção de centros de dados de inteligência artificial no espaço.

A OpenAI dedicou o ano de 2025 à sua transformação de entidade sem fins lucrativos para uma empresa com fins lucrativos. Sam Altman, CEO da companhia, reconheceu a necessidade contínua de captação de recursos apesar de não demonstrar entusiasmo pessoal com a gestão de uma empresa listada.

A Anthropic deu passos concretos em dezembro ao contatar o escritório de advocacia Wilson Sonsini para iniciar os trâmites legais. O movimento sinaliza a intenção da empresa sediada em San Francisco de aproveitar a janela de oportunidade que se abre no mercado.

Impacto econômico e riscos envolvidos

A concretização dessas ofertas pode gerar uma injeção significativa de capital para bancos de investimento e consolidar fortunas no Vale do Silício. Estimativas da consultoria Sacra apontam que os IPOs dessas três companhias poderiam criar mais de 16 mil novos milionários, considerando planos de opções de ações de funcionários atuais e antigos.

O otimismo do mercado enfrenta contrapontos relacionados à volatilidade econômica e incertezas geopolíticas, além das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A falta de preparo interno das organizações também figura como um possível entrave para o cumprimento do cronograma.

A rentabilidade dos modelos de negócio atuais gera dúvidas em veteranos como Paul Wick, investidor da Seligman Investments há três décadas. “Antes de abrirem capital, Facebook e Google já eram máquinas de lucro, com enorme crescimento e fortes barreiras de entrada. As empresas de IA parecem perder muito dinheiro e precisar captar recursos o tempo todo.”

Wick expressa cautela quanto à viabilidade financeira imediata dessas apostas tecnológicas. “Isso não me dá muita confiança. Não me deixa ansioso para comprar essas ações quando chegarem à Bolsa.”

O mercado de IPOs busca recuperação após um volume fraco de operações desde 2021. O ano passado registrou a abertura de capital de 202 companhias com uma captação total de 44 bilhões de dólares, números distantes dos 397 registros e 142 bilhões de dólares levantados quatro anos antes.

Jeff Thomas, chefe de listagens da Nasdaq, ressalta a importância estratégica de antecipar movimentos em cenários de grandes estreias. “Quando esses mega-acordos acontecem, eles ocupam todo o espaço. É preciso tentar sair na frente.”