PorWeber Reis2 de janeiro de 2026
A saída temporária de Natal terminou com 258 presos que não retornaram aos presídios dentro do prazo legal, encerrado em 30 de dezembro. Entre os casos, chama atenção o de um detento classificado como de altíssima periculosidade, que já havia fugido de uma penitenciária de segurança máxima em Campo Grande, e voltou a desaparecer após o benefício.
Trata-se de Tiago Vinicius Vieira, conhecido como Dourado, um dos 1.868 internos autorizados a deixar as unidades prisionais para visitar familiares no período natalino. Sete anos após ser preso pela Polícia Federal, ele voltou às ruas ao não se reapresentar no prazo estabelecido.
De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), Tiago integra o grupo dos 258 presos que descumpriram a Visita Periódica ao Lar (VPL). Desse total, 150 são ligados ao Comando Vermelho (CV). Ao todo, 346 integrantes da facção receberam o benefício no Natal, o que representa 47,45% dos contemplados e um aumento de 7% em relação ao ano anterior.
Segundo a ficha criminal, Tiago é considerado de “altíssima periculosidade” e apontado como integrante do Terceiro Comando Puro (TCP), facção com atuação em Mato Grosso do Sul. Ele foi preso em flagrante no Rio de Janeiro, negociando drogas sintéticas, em 11 de dezembro de 2018. Na ocasião, já estava foragido de uma penitenciária de segurança máxima de Campo Grande, onde cumpria pena.
Além dele, outros três internos classificados como igualmente perigosos também não retornaram às unidades prisionais após a saída temporária. Todos são ligados ao Comando Vermelho: André Luiz de Almeida, o Nestor do Tuiuti; Márcio Aurélio Martinez Martelo, conhecido como Bolado, da Fallet; e Sérgio Luiz Rodrigues Ferreira, chamado de Salgueiro ou Problema. Eles ocupam posições de liderança em comunidades da Zona Norte do Rio, em Santa Teresa e na região de Magé.
Entre os 258 presos que não regressaram, 39 pertencem ao TCP, 23 à facção Amigos dos Amigos (ADA) e 46 se declararam neutros, sem vínculo com organizações criminosas. A distribuição das evasões foi de 58,1% do Comando Vermelho, 17,8% de presos sem facção, 15,1% do TCP e 8,9% da ADA.
Na lista de beneficiados pela saída temporária havia ainda 21 policiais e 23 milicianos. Nesse grupo, segundo a Seap, todos retornaram aos presídios dentro do prazo previsto.
A legislação brasileira estabelece que a saída temporária é concedida a presos do regime semiaberto que tenham cumprido ao menos um sexto da pena, se primários, ou um quarto, no caso de reincidentes, além da exigência de bom comportamento carcerário.
