Depoimentos no STF reúnem dono do Banco Master e ex-presidente do BRB

PorErik Silva30 de dezembro de 2025

Na tarde desta terça-feira (30), a Polícia Federal recebe, no prédio do Supremo Tribunal Federal, o depoimento do dono do Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, a partir das 14h, como parte de inquérito que apura a negociação da venda do Banco Master ao BRB.

As oitivas foram determinadas pelo ministro Dias Toffoli e serão realizadas individualmente, conforme a decisão que estabelece o procedimento das tomadas de depoimento. Inicialmente o ministro desejou a realização de acareação entre os investigados, mas depois condicionou essa medida à avaliação da Polícia Federal. Acareação é quando os envolvidos ficam frente a frente para confrontar versões contraditórias.

O enquadramento das oitivas insere-se no contexto em que o BRB tentou adquirir o Banco Master pouco antes do Banco Central decretar a falência extrajudicial da instituição. Em março deste ano o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões, valor que, segundo o banco, equivaleria a 75% do patrimônio consolidado do Master. A negociação chamou a atenção do mercado e do meio político, diante das suspeitas sobre a sustentabilidade das operações do banco de Vorcaro. No início de setembro o Banco Central rejeitou a compra e, em novembro, foi decretada a falência da instituição.

Em novembro o ex-presidente do BRB e Daniel Vorcaro foram alvos da Operação Compliance Zero, operação da Polícia Federal que investiga a concessão de créditos falsos. A apuração, iniciada em 2024, busca identificar a emissão de títulos de crédito falsos e a simulação de operações para negociações entre instituições financeiras, conforme as linhas da investigação. As fraudes apontadas na família de apurações podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados.

O ministro Toffoli entendeu que o depoimento do diretor do Banco Central tem relevância para o esclarecimento dos fatos. “especial relevância”

O entendimento do ministro fundamenta-se no papel do Banco Central na fiscalização da integridade das operações do mercado financeiro, razão pela qual o depoimento de Ailton de Aquino foi incluído no cronograma, ainda que o diretor não figure entre os investigados.

A defesa do banqueiro Vorcaro informou à Agência Brasil sobre sua posição antes da diligência. “não vai se manifestar sobre o depoimento porque o processo corre em sigilo.”

A posição da defesa do ex-chefe do BRB foi igualmente comunicada antes da oitiva. “não se manifesta antes do depoimento.”

O Banco Central também não se manifestou em relação ao depoimento do diretor de fiscalização da instituição.

Sobre as negociações que motivam o inquérito, o BRB divulgou nota em que reafirma sua postura em relação às operações vinculadas à proposta de aquisição. “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando, regularmente, informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central sobre todas as operações relacionadas [às negociações de compra do] Banco Master”

A Operação Compliance Zero resultou da investigação iniciada pela Polícia Federal em 2024 para apurar e combater a emissão de títulos de crédito falsos. Segundo os elementos reunidos, instituições investigadas simulavam empréstimos e outros valores a receber, negociavam carteiras de crédito com outros bancos e, após a aprovação contábil pelo Banco Central, substituíam créditos fraudulentos e títulos de dívida por outros ativos sem avaliação técnica adequada. O Banco Master foi identificado como o principal alvo da investigação instaurada a pedido do Ministério Público Federal.

As oitivas desta terça-feira no Supremo seguem a tramitação do inquérito no STF e têm como objetivo colher depoimentos que possam esclarecer as negociações e os usos contábeis relacionados ao Banco Master e às operações investigadas.