O chão da indignação: idoso é filmado deitado em piso de UPA em Campo Grande

Lu Barreto

A imagem de um idoso estendido sobre o chão gelado da UPA Universitário, em Campo Grande, é o retrato mais cruel da falência do sistema público de saúde na capital.

O registro, feito no último sábado por pacientes indignados, não é apenas um flagrante de precariedade, mas uma prova da desumanização que se tornou rotina nas unidades de pronto atendimento.

Enquanto o poder público despeja discursos sobre eficiência, a realidade que se impõe é a de um cidadão vulnerável jogado à própria sorte em um corredor de passagem.

O que mais causa espanto no relato das testemunhas não é apenas a falta de uma maca ou cadeira, mas a indiferença que parece ter contaminado o ambiente.

Pessoas passavam pelo idoso como se aquela cena fosse parte integrante da mobília da unidade. Essa normalização do absurdo revela um sistema que, além de carecer de estrutura física, parece ter perdido o compromisso básico com a dignidade humana e o acolhimento, pilares fundamentais de qualquer serviço de saúde que se pretenda minimamente civilizado.

Questionada, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) ainda não justificou o porquê de um paciente chegar a tal ponto de exaustão ou sofrimento que o fizesse preferir o chão de uma unidade de saúde ao invés de um leito adequado. A falta de respostas imediatas apenas reforça a sensação de descaso com a população que depende exclusivamente do SUS.

O episódio na UPA Universitário serve como um alerta urgente: quando o chão se torna o único recurso para um idoso, o sistema de saúde já atingiu o fundo do poço.

O Portal Estado Diário permanece aguardando o posicionamento oficial da Sesau e continuará cobrando para que cenas de abandono como esta não sejam tratadas como incidentes isolados, mas combatidas como a negligência sistêmica que de fato representam.